Declaração de Princípios
"É certo que toda interpretação, para extrair das palavras tudo o que querem dizer, deve recorrer necessariamente à força... Unicamente esta força permite que uma interpretação se atreva a empreender o que sempre será uma audácia, quer dizer, confiar-se à secreta paixão de uma obra para penetrar, por seu intermédio, até o que permaneceu sem ser dito, e tratar de expressá-lo" (Heidegger)
Se jamais somos literais - graças a Deus - é porque sempre empregamos artifícios para "chegarmos" a um texto: seja a força, como nos lembra Heidegger, seja a poesia (este tipo de violência a qual nos submetemos de bom grado), como os trovadores de toda espécie. A compreensão imediata de um texto, baseada numa suposta afinidade entre o "eu" e o "tu", trazendo para o familiar aquilo que nos é estranho, como quis Dilthey, nunca se dá de maneira "imediata", mas "mediante" uma inspiração, um algo do presente que nos leva a inquirir o passado, nossos valores, afinal de contas. A compreensão nunca é desinteressada, o que exigiria um sujeito desencarnado.
Portanto, ao adentrarem neste recinto, não se esqueçam de trazer consigo seus martelos, alicates, a sua caixa de ferramentas, e não se acanhem ao ficarem com as mãos sujas.
Se jamais somos literais - graças a Deus - é porque sempre empregamos artifícios para "chegarmos" a um texto: seja a força, como nos lembra Heidegger, seja a poesia (este tipo de violência a qual nos submetemos de bom grado), como os trovadores de toda espécie. A compreensão imediata de um texto, baseada numa suposta afinidade entre o "eu" e o "tu", trazendo para o familiar aquilo que nos é estranho, como quis Dilthey, nunca se dá de maneira "imediata", mas "mediante" uma inspiração, um algo do presente que nos leva a inquirir o passado, nossos valores, afinal de contas. A compreensão nunca é desinteressada, o que exigiria um sujeito desencarnado.
Portanto, ao adentrarem neste recinto, não se esqueçam de trazer consigo seus martelos, alicates, a sua caixa de ferramentas, e não se acanhem ao ficarem com as mãos sujas.

6 Comments:
Ficou mais bonito. Boa declaração. Bom que não abandonou isso aqui.
Agora, quanto ao "Piron", não vou nem comentar nada.
:P
"vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada".
--Riobaldo.
o nome do blog ficou mais legal agora, sua bicha?
Tirei este nome de um filme do Orson que eu vi (e tenho aqui em casa), que fala justamente sobre um tal de Elmyr, um húngaro considerado um dos maiores falsificadores de pinturas de todos os tempos, aí entra toda uma discussão sobre a relação simbiótica entre os falsificadores e os experts: os falsificadores só existem porque existe um mercado da arte e porque existem os "experts", ou seja, imbecis autorizados a apontarem o que é arte e o que não é.
Evidentemente, o nome que eu coloquei no blog é falso: é uma mera reprodução do original do Orson Welles, mas até onde eu sei ele também era um grande falsificador, então...
Bom, parece que vc finalmente achou um nome pro blogue.
suspeitei que fosse um filme. no caso, simpatizo mais com o falsificador que com qualquer outro figura da história. ele serve no mínimo de lembrete do ridículo que é o sistema como um todo. se se coloca nessa posição marginal por opção, então, aí que eu babo ovo mesmo! :)
E o Metacafé?
tô dentro!
Melhorou mesmo....Agora, onde estarão os outros bloggers (falo isso para tirar o meu da reta)?
;-)
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