Sobre a atividade de "ler pessoas"
"Eles [os leitores] não seriam, em minha opinião, leitores meus, mas os próprios leitores deles mesmos, sendo o meu livro apenas uma espécie daqueles vidros de aumento como os que o oculista de Cambray oferecia a um comprador; graças ao meu livro eu lhes forneceria o meio de ler neles mesmos. De sorte que não lhes pediria que me louvassem ou me denegrissem, mas apenas que me dissessem se as palavras que lêem neles mesmos são exatamente as que eu escrevi" (Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido, citado por Lahire, in Homem Plural, p. 91)

9 Comments:
Quero esse livro de presente. (o do proust, não o do lahire)
Paralisado peas leituras como seu heróis, flaubert não foi o escrivão nem o copista dos livros que lia. A doença de flaubert era uma doença de palavras. Mas qual? O desamparo melancólico em que nos relegam quando nos faltam, se omitem, e quando a língua, esse deus enganador, nos tira o apoio que nos devia; ou, ainda, a mania desgastante de restituí-las, no sentido de reproduzir a verdade delas e, ao mesmo tempo, a de cuspir seus restos regugitados: palavras demais e nem uma única que seja minha.
Zé: você parece uma mônada sem portas nem janelas: vai cagar, seu chato de galochas!!
Cyrano: quem sabe, hein? Brevemente, seu pedido poderá ser atendido.
...mônadas normalmente tem portas e janelas?
não, porque mônadas não existem, a não ser o Zé, é claro, que sem dúvida existe, mas que não é uma mônada. Uma mônada não tem janelas, segundo Leibniz, seu pai, porque ela não se comunica com o exterior, com as outras mônadas: ela é regida por um princípio interno, assim como a semente já contém em si mesma a flor, o fruto. Se nós fôssemos mônadas, bastaria aplicar a teoria newtoniana das colisões para entendermos como se forma agregados (sociedades) a partir da acumulação das ações de cada monadazinha (vide teoria dos jogos e teoria da escolha racional, que acreditam ambas nas mônadas).
Bom, nós também não temos portas nem janelas. Se bem que... hmm... Não, deixa pra lá.
O Zé é uma mônada sem porta que não existe, porque o Leibniz é pai dela e ela é uma semente com um circuito de um jogo interno racional com uma flor de um fruto que abusou sexualmente dela desdiainfância, desdiainfância! É basicamente isso?
Ah, e antes que me esqueça: pega no meu mito e ...
E ninguém fica em forma mitológica nenhuma em mim não, sai pra lá!
Flaubert passava dias recluso em seu quarto fazendo anotações que na verdade na serviam-lhe. Chegava a ler livros para terminar uma simples frase. Algo como ler sobre ciprestes amarelos simplesmente pq existiam no castelo de Nizanteu. Bem, mais tarde a psicanalise entendeu seu caso como um simples caso de abuso sexual na infância, cometido pelo pai Trifosfato, além do grande sentimento de culpa por ter gostado.
sua dislexia na hora de digitar deve ter algo a ver com isso, também...
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